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Em 1912, o livreiro Wilfrid Voynich comprou um lote de manuscritos antigos de um colégio jesuíta perto de Roma.
Entre eles havia um pequeno volume em pergaminho de cerca de 240 páginas, coberto do começo ao fim por uma escrita que ele nunca tinha visto e por desenhos de plantas que não correspondiam a nenhuma espécie conhecida.
Voynich passou o resto da vida tentando descobrir o que estava escrito ali. Morreu em 1930 sem ler uma única linha.
Mais de um século depois, o livro continua na mesma posição. Está catalogado como Beinecke MS 408, guardado em Yale, fotografado em alta resolução, disponível para qualquer pessoa baixar. E ninguém, em mais de seiscentos anos de existência do objeto, conseguiu ler uma frase sequer.
O REGISTRO
O que se sabe
A primeira coisa que a ciência fechou foi a idade. Em 2009, uma equipe da Universidade do Arizona submeteu quatro amostras do pergaminho à datação por radiocarbono. O resultado situou a pele animal usada nas páginas entre 1404 e 1438, com 95% de confiança.
Análises de tinta feitas no mesmo período mostraram pigmentos compatíveis com o início do século XV. Isso elimina a hipótese mais cômoda, a de que o livro seria uma fraude moderna de Voynich. O material é genuinamente medieval.
O que está escrito nele é o problema. O texto soma cerca de 38.000 palavras montadas a partir de um alfabeto de aproximadamente 25 símbolos, traçados com fluência, sem hesitação e sem correções visíveis. Quem escreveu fez isso depressa, como quem domina o que está copiando.
Os linguistas chamam o sistema de "voynichês". Ele tem propriedades estatísticas que imitam uma língua real: certas palavras se repetem, há algo parecido com a Lei de Zipf, e a estrutura das "frases" varia conforme a seção do livro. Não parece ruído aleatório jogado na página.
As ilustrações dividem o manuscrito em blocos temáticos. Há uma seção botânica com mais de cem desenhos de plantas, quase nenhuma identificável com segurança como espécie real. Há uma seção astronômica com diagramas circulares, sóis, luas e estrelas.
Há uma seção dita "biológica", com pequenas figuras femininas em tanques e canais interligados. E há uma seção farmacêutica, com potes, raízes e o que parecem receitas. As legendas estão todas em voynichês. Nenhuma serve de chave.
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"Uma tentativa inicial de construir uma língua artificial." William Friedman, o criptógrafo que quebrou o código japonês PURPLE, sobre o Voynich, após décadas de estudo sem decifrar uma linha.
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A lista de quem tentou e falhou é o que torna o caso notável. Friedman dedicou décadas ao manuscrito e parou nessa frase. John Tiltman, do serviço de inteligência britânico que trabalhou em Bletchley Park sobre o Enigma, também desistiu sem decifrar nada.
Em 2025, programas de aprendizado de máquina treinados para reconhecer padrões linguísticos seguem produzindo apenas correspondências parciais e contestadas. Nenhum decodificou o texto.
A PERGUNTA EM ABERTO
O que ninguém fechou
O que ninguém conseguiu provar é a única coisa que importa: se há mensagem ali, ou não.
Três hipóteses seguem de pé, e nenhuma fecha. A primeira diz que é uma cifra, um texto real em latim, alemão ou outra língua, embaralhado por um método que ainda não foi reconstruído.
Contra ela pesa o fato de que seis séculos de criptógrafos profissionais, incluindo os melhores do mundo, não acharam a porta. A segunda diz que é uma língua natural desconhecida ou extinta, talvez transcrita num alfabeto inventado.
Contra ela pesa não existir nenhum outro documento, em lugar nenhum, na mesma escrita. A terceira diz que é um embuste sofisticado do século XV, texto sem significado fabricado para parecer linguagem e vendido como livro de saber secreto.
Contra ela pesa justamente a regularidade estatística: é difícil, escrevendo à mão e depressa, produzir sem querer padrões tão parecidos com os de um idioma de verdade.
Cada hipótese explica parte do objeto e tropeça em outra parte. O pergaminho é real e antigo, disso não há dúvida. As plantas não batem com a botânica conhecida. A escrita imita uma língua mas não entrega nenhuma. E o homem ou a mulher que encheu essas 240 páginas com tanta segurança levou consigo o que quer que soubesse.
O livro está aberto em Yale, fotografado até o último fio do pergaminho, ao alcance de qualquer um. Continua dizendo exatamente o que dizia em 1912: nada que se possa ler.
O caso de hoje fica em aberto.
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Ciência Bizarra
Fenomenos que parecem mentira, mas sao reais e estao provados. A afirmacao, a evidencia e a fonte. Ciencia contraintuitiva que voce vai querer contar pra alguem.
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